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LIVROTERAPIA – Sem olhar para trás, de Lycia Barros – @EdValentina

Sabe quando você termina de ler uma história e pensa: outras pessoas precisam ler? Esse foi o pensamento que tive ao terminar esta. Fiz uma lista em minha mente das pessoas que precisavam de alguma forma ler este livro e que se identificariam com a história em algum momento.

Apesar de conhecer a fama da autora, de saber que ela já lançou vários livros, inclusive em outras editoras, esse foi o primeiro que tive contato. Mas posso afirmar, com toda a convicção, que se os outros livros dela forem tão bem escritos e tão lindos quanto esse, ela ganhou uma grande fã!

Que livro maravilhoso! Que história de vida e superação mais emocionante…

Terminei-o com os olhos marejados. Isso porque, em um determinado capítulo, eu chorei copiosamente, de ter que parar, respirar, dar um tempo e aí sim, voltar à leitura.

Confesso a vocês que, ao ler a sinopse, conseguia imaginar o que vinha por aí e, quando recebi o livro, ao analisá-lo, conferir algumas informações, tive medo que ele fosse algo relacionado à autoajuda. Nada contra quem lê esse gênero, claro, mas é que eu não curto e fiquei com receio de iniciá-lo.

Mas nada me preparou para o que de fato estava para acompanhar. Fui pega logo pelas primeiras páginas e me envolvi tanto na história que, quando acabou, senti um vazio e estou aqui, escrevendo para vocês, com um ar de ressaca, sabe? Como há muito não me sentia…

sem olhar para trás

Ela recorreu ao amor de DEUS e venceu o ódio e a violência.

Alguns segundos depois, ainda amparada por Vicente, Agatha parou de tremer. Sentia-se mais forte quando o cheiro da pele dele penetrava suas narinas. Mas não poderia ser sempre assim. Chegaria o dia em que ela precisaria resolver sozinha aquela batalha particular. Colocar um fim na história.

Quando se afastou de Vicente, enterneceu-se com o modo doce com que lhe beijou os lábios, para lhe passar segurança. Era exatamente disso que ela precisava naquele momento, de um pouco de ternura. Tendo tido um pai e um marido tão implacáveis, Vicente a fazia renovar a fé nos homens.

Este é o foco da história de Agatha: é preciso força para recomeçar. As cicatrizes ficam, mas a força de reação é maior. Quando queremos mudar a situação à nossa volta, é preciso que essa mudança comece dentro de nós. Afinal, é lá que moram a fé e a coragem capazes de alterar o nosso destino para sempre.

 

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Resenha

O tema violência doméstica mexe muito comigo.

Eu cresci acompanhando, de longe, uma pessoa muito próxima a mim sofrer dessa violência. Nunca presenciei, mas ouvia as histórias mais absurdas e, à medida que fui entendendo a situação, podia sentir o olhar de submissão por parte dessa pessoa, o descontentamento quando ela tinha que vestir a roupa que ele escolhia, usar a bolsa e o sapato que ele mandava…

Ela, uma pessoa tão ativa, tão impulsiva, tão determinada, foi se tornando submissa, triste, medrosa, doente…

Uma vez, quando soube que ela havia parado no hospital por causa dele, eu e mais uma tia tentamos denunciá-lo, mas ela chorou e implorou para que não fizéssemos nada, pois ele era um bom homem, um bom pai, dava tudo a ela e só estava nervoso porque ela o deixou assim. Bom, claro que ele dava tudo a ela, pois sabia que estava errado e a comprava depois de cada briga. Mas ela não enxergava desta forma…

Engraçado como o próprio agressor faz uma lavagem cerebral na vítima, induzindo-a a pensar que é a culpada pela violência e ele só bateu porque não teve outra escolha ou precisava “educá-la”.

Naquela época, não conseguimos levar a denuncia para frente, pois só podia denunciar quem era vítima. Hoje, com a lei Maria da Penha, essa história mudou e a denúncia pode partir de uma pessoa próxima. Graças a Deus, ela não sofre mais. Ele morreu, mas infelizmente ela e o filho ainda convivem com algumas marcas do passado…

Infelizmente, essa violência não é empregada somente a essa pessoa próxima a mim e sim a milhares de mulheres que são iludidas, achando que o primeiro tapa foi sem querer. O cara chora, diz que estava nervoso, que nunca mais vai fazer isso, compra um presente, leva para passear, passa uma semana “bonzinho” e da próxima vez a agressão se torna pior. Muitas vezes, o agressor faz a vítima se tornar independente financeiramente, impedindo assim, de que a vítima consiga sair daquela situação.

Foi assim com Agatha, que tenta reconstruir sua vida após fugir, junto com seu filho de 9 anos, de um relacionamento abusivo por parte do marido.

Quando mais nova, abandonou os estudos e fugiu de casa, iludida por um lindo rapaz de família rica, que dizia que a amava. Se tornou independente financeiramente dele e logo em seguida, se viu presa em uma vida de mentiras, traições e violências.

Enquanto essa violência gratuita era empregada somente a ela, aguentava calada, por não ter como fugir, já que não é mais bem-vinda na casa do pai, sua mãe já falecera e devido à condição financeira do marido, que vem de uma família tradicional do Rio de Janeiro, tendo muitas influências.

Passou tantos anos tendo cada aspecto da sua vida dominado pelo ex, que já não sabia mais as próprias referências.

Com essas agressões se tornando ainda mais frequentes, o marido passa a descontar toda a fúria também no menino, que já tem idade suficiente para querer proteger a mãe. Cansada de tanto abuso, Agatha consegue a grande oportunidade que tanto esperava: uma tia distante deixa como herança, um simples e pequeno sítio, em uma cidade do interior de Minas Gerais.

Decidida a abandonar tudo, a moça foge com o mínimo de coisas possíveis, junto com o filho, para tentar um novo destino.

Ao chegar na pequena cidade, ela é recebida com muito amor pela população e começa a se reerguer, com a ajuda de um casal de idosos muito fofo, mudando completamente sua rotina luxuosa, vendendo queijos para o comércio local e um hotel fazenda famoso na cidade.

É lá que ela conhece Vicente, o dono do hotel, ex-campeão de equitação, que se vê obrigado a abandonar a carreira após uma tragédia, mas que carrega consigo uma grande lição de vida.

Seu coração, havia muito tempo, estava preparado exclusivamente para lutas e decepções.

A atração entre os dois cresce ao longo do tempo e o amor se torna inevitável. Agatha vê em Vicente um porto seguro, alguém em quem confiar. E Vicente vê em Agatha o amor que ele tanto procurava e promete proteger sua nova família a qualquer custo.

Mas, quando o passado da moça volta para assombrá-la e deixar estragos ainda piores, é que tanto Agatha, quanto Vicente precisam recorrer ao amor e à misericórdia de Deus para então viverem a vida que tanto sonharam.

A fé é a certeza das coisas que se esperam, e não das que se veem.

Uma história linda sobre superação, onde a fé nos dá força para recomeçar. ❤

Aquele tipo de livro para deixar ao alcance e reler sempre que estiver passando por alguma situação complicada em que precise reaver sua fé em Deus…

Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça. – Isaías 41:10

E antes de terminar, quero comentar sobre a linda diagramação da Valentina, que deixou a leitura muito mais delicada.

Book Trailer:

Saiba mais sobre a Lei Maria da Penha e caso conheça algum caso de violência, denuncie pelo 180.

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